terça-feira, julho 20, 2010

Um Peixe fora do Aquário

Eu adoro aquários. Quero que na minha casa nova tenha um pequenininho. Lá pelos meus 9, 10 anos de idade, eu sempre quis ter um aquário. Mas não podia. Minha mãe dizia que no final das contas, iria sobrar para ela. Ela é quem teria que trocar a água dos peixes e lavar, passar, etc. Meus dois melhores amigos tinham aquários lindos. Os poucos melhores amigos dos meus melhores amigos também. Eu me sentia um imbecil quando eles todos se reuniam e ficavam lá falando de tricogasters, cabombas, valisérias, barbo-sumatranos, oxigenadores. E o que era pior: além de ter inveja, eu não entendia nada.
Quando eu chegava na casa deles e via aquele peixe com aquele olhar de Frank Sinatra solitário boiando num vidro separado com água azul, perguntava:
-“Mas o que é isso? Por que este peixe está separado neste vidro de água azul?”.
– “Isso é azul de metileno” – era a resposta que eu ouvia
– “É que ele está doente, está com íctio.
– “Está com o quê?”
– “Tá vendo essas manchinhas brancas no corpo dele, tipo um fungo?”.
E eu, míope que era não conseguia ver direito, mas mesmo assim dizia
– “Tôo...tôooo”.
– Pois é... isso é doença... isso é íctio.”
Uma múmia, isso sim que eu era. Então foi uma questão de inclusão social.

– “Pai! Tenho um assunto muito sério para falar com o Sr.! Eu preciso de ter um aquário.”– e continuei –“Se o Sr. não me der um aquário, eu vou me tornar um nada, não vou mais conseguir me comunicar com nenhum dos meus amigos! "
Fingindo que ficou com pena, meu pai se prontificou a me ajudar.
–“Tá bom. Então compra esta porcaria deste aquário. Mas ó, você vai ter que cuidar. Se eu souber que um peixe passou fome ou dificuldade na vida, ou que vai dar trabalho para sua mãe eu jogo tudo na privada! Vê lá quanto custa, me fala e eu te dou o dinheiro.”
Aí foi o grande problema. AÍ não...LÁ... Vê LÁ quanto custa.
Onde era lá?
Não tinha lá.
Não havia loja na cidade onde eu morava que vendia aquário.
Que decepção meu Deus.
Resolvi dar um jeito nisso. Fui na Serralheria Santa Luzia, mandei cortar os vidros e comprei Durepox. Mas aí já é uma outra história catastrófica...que continuo contando um dia desses...

2 comentários:

Unknown disse...

Conta , conta .......

valeria soares disse...

Também quero saber mais! Adorei. Estou seguindo.