Outro dia sentei-me no bar. Nenhum amigo estava lá. Ninguém aliás, estava lá, a não ser um Sr. aparentando seus 65 anos, tantos meses, dias e horas. Ele bebia uísque. Eu não. Mas acabei pedindo uma dose. Estávamos em mesas distintas, separados por um bueiro de metal grande e respeitável em sua redondeza.
Súbito, de um dos buracos do bueiro, emergiu uma barata. Mas não era uma barata qualquer. Era bem fornida e lustrosa, praticamente aerodinâmica. Uma baratona mesmo. Parecia até que se alimentava só com sustagem de baunilha de tão forte e musculosa. Parecia a Madonna.
A barata emergiu do bueiro triunfante com ares de Eva Peron, fez que iria cantar um tango, deu uma volta sobre a tampa de metal, esperneou, evoluiu em algumas piruetas, virou de barriga para cima, soluçou, esperneou de novo. Assim como uma bailarina coreografada por Twyla Tharp.
Súbito, de um dos buracos do bueiro, emergiu uma barata. Mas não era uma barata qualquer. Era bem fornida e lustrosa, praticamente aerodinâmica. Uma baratona mesmo. Parecia até que se alimentava só com sustagem de baunilha de tão forte e musculosa. Parecia a Madonna.
A barata emergiu do bueiro triunfante com ares de Eva Peron, fez que iria cantar um tango, deu uma volta sobre a tampa de metal, esperneou, evoluiu em algumas piruetas, virou de barriga para cima, soluçou, esperneou de novo. Assim como uma bailarina coreografada por Twyla Tharp.
Depois ficou estática.... e repentinamente retornou às profundezas do bueiro de onde tinha saído.
Eu e o senhor respeitável da outra mesa observamos todos os movimentos daquela Isadora Duncan dos esgotos. Ele deu uma baforada em sua cigarrilha, rodou o gelo do uísque com o dedo, fixou seus olhos no meu e finalmente tivemos um diálogo curto, porém sério:
- “Maluca né?”.
– “É. Maluca sim.”.
E continuamos observando o infinito, não trocamos mais sílaba alguma até o fim da madrugada.
Eu e o senhor respeitável da outra mesa observamos todos os movimentos daquela Isadora Duncan dos esgotos. Ele deu uma baforada em sua cigarrilha, rodou o gelo do uísque com o dedo, fixou seus olhos no meu e finalmente tivemos um diálogo curto, porém sério:
- “Maluca né?”.
– “É. Maluca sim.”.
E continuamos observando o infinito, não trocamos mais sílaba alguma até o fim da madrugada.
2 comentários:
muuito bom esse texto! adorei!
Servio, parabéns, você escreve com graça, e põe graça nisso.
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