terça-feira, dezembro 01, 2009

Sobre Uísque e Baratas.

Outro dia sentei-me no bar. Nenhum amigo estava lá. Ninguém aliás, estava lá, a não ser um Sr. aparentando seus 65 anos, tantos meses, dias e horas. Ele bebia uísque. Eu não. Mas acabei pedindo uma dose. Estávamos em mesas distintas, separados por um bueiro de metal grande e respeitável em sua redondeza.
Súbito, de um dos buracos do bueiro, emergiu uma barata. Mas não era uma barata qualquer. Era bem fornida e lustrosa, praticamente aerodinâmica. Uma baratona mesmo. Parecia até que se alimentava só com sustagem de baunilha de tão forte e musculosa. Parecia a Madonna.
A barata emergiu do bueiro triunfante com ares de Eva Peron, fez que iria cantar um tango, deu uma volta sobre a tampa de metal, esperneou, evoluiu em algumas piruetas, virou de barriga para cima, soluçou, esperneou de novo. Assim como uma bailarina coreografada por Twyla Tharp.
Depois ficou estática.... e repentinamente retornou às profundezas do bueiro de onde tinha saído.
Eu e o senhor respeitável da outra mesa observamos todos os movimentos daquela Isadora Duncan dos esgotos. Ele deu uma baforada em sua cigarrilha, rodou o gelo do uísque com o dedo, fixou seus olhos no meu e finalmente tivemos um diálogo curto, porém sério:
- “Maluca né?”.
– “É. Maluca sim.”.
E continuamos observando o infinito, não trocamos mais sílaba alguma até o fim da madrugada.

2 comentários:

Unknown disse...

muuito bom esse texto! adorei!

🌎 disse...

Servio, parabéns, você escreve com graça, e põe graça nisso.